Publicado em 11 de novembro de 2012
Os canteiros de obra Belo Monte e Pimental, os dois mais
importantes da hidrelétrica, foram palco de revolta de operários nesta sexta
(9) e sábado (10) em função de problemas trabalhistas e desacordos com a
proposta de aumento salarial apresentado pelo Consórcio Construtor Belo Monte
(CCBM).
A primeira ação ocorreu na noite de sexta, quando foram
incendiados quatro galpões do almoxarifado após a informação de que o aumento
proposto pela empresa seria de apenas 7% (veja video do incêndio).
Já no sábado, os protestos tomaram conta do canteiro de
Pimental, que, de acordo com uma liderança dos trabalhadores, teve instalações
e alojamentos destruídos. “Por volta das 16 h, o Sindicato da Construção Pesada
do Pará (Sintrapav) foi ao Pimental e anunciou que havia fechado um acordo com
o CCBM de aumento de 11%. Em nenhum momento esta proposta foi discutida com as
bases, foi um acordo a portas fechadas entre sindicato e empresa, e os
operários se revoltaram. Aí houve um quebra geral”, explica o trabalhador
Emiliano de Oliveira.
De acordo com Oliveira, o sindicato foi expulso do canteiro
juntamente com toda a equipe administrativa do Sitio Pimental, mas houve uma
rápida intervenção da Polícia Militar e da Força Nacional de Segurança.
“Ocorreram prisões e sabemos que há trabalhadores feridos, mas estamos sem
nenhum apoio do sindicato e não sabemos quantos são, quem são e onde estão”,
afirma o trabalhador.
Reivindicações
Segundo os trabalhadores, a categoria tem três
reivindicações principais, que não foram negociadas ainda pelo sindicato:
aumento salarial acima do oferecido – já que, segundo a categoria, a inflação
em Altamira chegou aos 30% em 2012 -, equiparação salarial entre os canteiros
de obras – há denúncias de que operários com a mesma função recebem salários
diferentes nos canteiros de Pimental e Belo Monte -, e mudança de regras da
baixada (folga para visitar as famílias). “O aumento que estão oferecendo é
ridículo. Pode até ser que a inflação no país tenha sido de cerca de 5%, mas em
Altamira a coisa é diferente. Um prato feito chega a custar 17 reais. A
situação está catastrófica, os preços estão estratosféricos”, diz um
trabalhador.
Sem solução desde as paralisações do início deste ano, de
acordo com os operários de Belo Monte a baixada continua diferenciada em
relação às demais obras do PAC. “Enquanto em todas as demais obras a baixada de
10 dias acontece a cada três meses, em Belo Monte eles só nos liberam de meio
em meio ano. Também só têm baixada os profissionais como pedreiro, motorista,
carpinteiro. Ajudantes e serventes não têm esse direito. E agora o CCBM quer
mudar as regras e só pagar passagem de avião pra quem mora a mais de 1500 km de
Belo Monte. Os outros teriam que ir de ônibus, o que só de ida e volta come
mais da matade da baixada, em muitos casos”, explica Oliveira.
Clima tenso
Segundo os trabalhadores, as forças policiais continuam
guardando o canteiro de Pimental, mas o CCBM já teria avisado que todos os
operários devem retomar as atividades nesta segunda, sob pena de demissão
sumária. “O problema é que Pimental está destruído, não tem como trabalhar. Na
prática o canteiro já está em greve. Mas o clima está muito pesado,
helicópteros da policia sobrevoam seguidamente a cidade de Altamira, e estamos
sem proteção nenhuma do sindicato”, afirma um trabalhador. Segundo lideranças
da categoria, ainda não há uma posição oficial do sindicato frente às
reivindicações dos operários, e não está descartada uma greve geral a partir
desta semana.
Fonte:
http://www.xinguvivo.org.br/2012/11/11/canteiros-de-obra-de-belo-monte-sao-incendiados-e-destruidos/
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