11 de junho de 2010

DANÇAS CIRCULARES ABREM SÉRIE DE AÇÕES QUE ANTECEDE O IDEA 2010



“Vem pra roda, Teresa!”. O chamado não era só para a menina de 4 anos de idade que acompanhava a roda de longe. O chamado era para quem quisesse entrar nas Danças Circulares Sagradas, a principal linguagem utilizada nos Abraços Dançantes, como são chamadas as ações rumo ao IDEA 2010, que acontecem desde 2009 em Belém e, neste mês, integram a semana de lançamento do VII Congresso Mundial da Associação Internacional de Drama, Teatro e Educação (IDEA 2010), entre os dias 17 e 25 de julho.
O Abraço Dançante de Junho reuniu cerca de 50 pessoas ao ar livre, na noite de terça-feira (01/06), no anfiteatro do Parque da Residência, em Belém/PA. O movimento das Danças Circulares Sagradas ou dos Povos, reúne danças e cantos tradicionais do mundo e também danças que foram coreografadas
na perspectiva de revelar pelo movimento infinitas possibilidades culturais, educativas e curativas. Em Belém/PA o movimento chegou em maio de 2002 com a Organização Não- Governamental Mana-Maní Círculo Aberto de Comunicação, Educação e Cultura, realizadores de uma pesquisa sistemática com as danças
circulares tradicionais da Amazônia.e responsáveis pela primeira formação em Danças Circulares do Brasil.


“O corpo também quer se expressar plenamente. Não tem como ser criativa se a gente só usa a cabeça, temos que buscar as sensações, a emoção e a intuição para acessar nossa capacidade ampla de comunicação, expressão e criação”, afirma Déa Melo, Comunicadora social, criadora da metodologia Comunic-Ação Criativa e coordenadora da ONG Mana-Maní. Déa também é diretora do Projeto Raízes e Antenas do IDEA 2010, que focaliza no IDEA 2010 as possibilidades transformadoras de aprofundar o diálogo entre os saberes tradicionais e acadêmicos.


As linguagens humanas e, neste caso, as danças em roda estimulam ações afirmativas que tocam em dimensões que vão desde a auto-estima, passando pela identidade pessoal e étnica, até o exercício colaborativo e solidário da vida em comunidade. Afinal, os povos ancestrais sempre dançaram para
celebrar os ciclos da vida (nascimento, casamento, plantio, colheita) e tinham muito a nos ensinar sobre os chamados Puxiruns, mutirões de trabalho e de festa.



Dona Onete, uma grande mestra da tradição e convidada especial da noite, recordou que “quando criança, as cirandas eram músicas de rodas, para brincar" e afirma que "precisava de um resgate disso aqui; temos uma cultura muito rica". Compositora de carimbós, banguês e outros ritmos paraenses, D.Onete, encantou quando soltou seu vozeirão com a sensualidade criativa do carimbó xamegado, que com muita sabedoria e simplicidade ressalta a importãncia do banho de cheiro de São João, o tradicional Banho da Felicidade - uma infusão de diversas ervas, raízes e batatas amazônicas perfumadas, usada para lavar o corpo (e a alma) na madrugada do dia 24 de junho e atrair coisas boas no novo ciclo da natureza: o Verão no Norte do Brasil.

Qualidades e valores diversos foram experimentados no contato com diversas danças - a flexibilidade, com o balanço vindo da Ciranda pernambucana; o jogo de cintura no rebolado miudinho do Samba de Chula da
Bahia, a objetividade na simetria da dança inglesa e a cantiga trazida em português pelo arteducador Wingo, de Hong Kong, que está em Belém há três meses para colaborar no "Rio de Línguas", o projeto que contempla tradutores e intérpretes como mediadores interculturais no congresso .

A diversidade presente nas pessoas dançantes, nos ritmos experimentados e nas vozes expressadas simbolizam uma síntese do que propõe o IDEA 2010 - Viva a Diversidade Viva. Abraçando as Artes de Transformação.

As inscrições para o Congresso IDEA 2010 podem ser feitas no site  www.idea2010.art.br


Fonte: http://idea2010.ning.com/profiles/blog/show?id=5542449%3ABlogPost%3A1161&xgs=1&xg_source=msg_share_post

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