7 de fevereiro de 2013

PROTAGONISMO JUVENIL por Eduardo da Amazônia

*O que o jovem e amigo Eduardo da Amazônia fala sobre "ProtagonismoJuvenil". Vale a pena ler!



PROTAGONISMO JUVENIL
Postado por Eduardo da Amazônia.

O princípio da valorização do protagonismo é a escuta, se eu não faço isso, eu não só comprometo a autonomia do jovem, como eu envelheço precocemente a humanidade

Quem são os(as) adolescentes e jovens? Esta pergunta deve ser feita inicialmente a quem se propõe a trabalhar com/para a juventude. Ainda que possa parecer complexa, não há como começar qualquer trabalho com este público sem minimamente conhece-lo. E para isto, torna-se necessário um exercício de escuta, conforme sugere Rubem Alves em “Escutatória"[1].

As características biopsicossociais entram em conflito com o tempo e o espaço, definindo um conjunto de conceitos que possa identificar estas etapas tão próximas, mas que também possuem especificidades. No Brasil, conforme a lei que dispõe sobre o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, a adolescência compreende a etapa entre doze e dezoito anos[2]. Já as ações voltadas à juventude compreendem de 15 a 29 anos[3].

Num paralelo ao artigo do teólogo e escritor Leonardo Boff sobre sustentabilidade[4], os(as) adolescentes e jovens podem ser tratados(as) como adjetivos (pode ser agregada a qualquer coisa sem mudar a natureza da coisa) ou substantivos (exige uma mudança na natureza da coisa). Sua capacidade transformadora vem sendo ofuscada por estereótipos: padrão de beleza, reprodutora da violência, alienada/alienante ou descartável. Com isso, o hedonismo de alguns pelo poder, empurra muitos(as) à criminalidade, a prostituição, a gravidez precoce, ao tráfico, dentre outros problemas sociais.

Em contrapartida, o reconhecimento dos(as) adolescentes e jovens como sujeitos de direito, se dá a partir da compreensão e valorização de seu PROTAGONISMO. De origem latina (“protos” que significa principal, primeiro e “agonistes” lutador, competidor) protagonismo se refere a participação ativa de modo a intervir no meio em que atua. Protagonizar não é estado (status), mas sinônimo de ação.

Porém, para quem se propõe a promover a autonomia juvenil, evitar-se-á dependência ou tutela, onde as decisões giram a partir ou em torno de uma pessoa, mesmo que este(a) seja um(a) adolescente ou jovem. Ninguém protagoniza por ninguém, mas é uma ação individual com/para o coletivo. “A idéia é que o protagonismo juvenil possa estimular a participação social dos jovens, contribuindo não apenas com o desenvolvimento pessoal dos jovens atingidos, mas com o desenvolvimento das comunidades em que os jovens estão inseridos”[5].

Tornar protagonista uma população silenciada na história nos fará escutar gritos evidentes. Farão-nos perceber que propostas superficiais como a redução da maioridade penal, além de aumentar a violência e o extermínio de jovens, não resolverá o problema da (in)segurança pública. Pelo contrário, irá calar a voz de quem pode trazer a mudança que o mundo espera acontecer.
Fonte: Visite o blog do Eduardo da Amazônia: 

Fonte:Para ficar por dentro das ideias e opiniões de eduardo e so acessar;  http://eduardodaamazonia.blogspot.com.br/




Sustentabilidade: adjetivo ou substantivo?




É de bom tom hoje falar de sustentabilidade. Ela serve de etiqueta de garantia de que a empresa, ao produzir, está respeitando o meio ambiente. Atrás desta palavra se escondem algumas verdades mas também muitos engodos. De modo geral, ela é usada como adjetivo e não como substantivo.

Explico-me: como adjetivo é agregada a qualquer coisa sem mudar a natureza da coisa. Exemplo: posso diminuir a poluição química de uma fábrica, colocando filtros melhores em suas chaminés que vomitam gases. Mas a maneira com que a empresa se relaciona com a natureza donde tira os materiais para a produção, não muda; ela continua devastando; a preocupação não é com o meio ambiente mas com o lucro e com a competição que tem que ser garantida. Portanto, a sustentabilidade é apenas de acomodação e não de mudança; é adjetiva, não substantiva.

Sustentabilidade como substantivo exige uma mudança de relação para com a natureza, a vida e a Terra. A primeira mudança começa com outra visão da realidade. A Terra está viva e nós somos sua porção consciente e inteligente. Não estamos fora e acima dela como quem domina, mas dentro como quem cuida, aproveitando de seus bens mas respeitando seus limites. Há interação entre ser humano e natureza. Se poluo o ar, acabo adoecendo e reforço o efeito estufa donde se deriva o aquecimento global. Se recupero a mata ciliar do rio, preservo as águas, aumento seu volume e melhoro minha qualidade de vida, dos pássaros e dos insetos que polinizam as ávores frutíferas e as flores do jardim.

Sustentabilidade como substantivo acontece quando nos fazemos responsáveis pela preservação da vitalidade e da integridade dos ecossistemas. Devido à abusiva exploração de seus bens e serviços, tocamos nos limites da Terra. Ela não consegue, na ordem de 30%, recompor o que lhe foi tirado e roubado. A Terra está ficando, cada vez mais pobre: de florestas, de águas, de solos férteis, de ar limpo e de biodiversidade. E o que é mais grave: mais empobrecida de gente com solidariedade, com compaixão, com respeito, com cuidado e com amor para com os diferentes. Quando isso vai parar?

A sustentabilidade como substantivo é alcançada no dia em que mudarmos nossa maneira de habitar a Terra, nossa Grande Mãe, de produzir, de distribuir, de consumir e de tratar os dejetos. Nosso sistema de vida está morrendo, sem capacidade de resolver os problemas que criou. Pior, ele nos está matando e ameaçando todo o sistema de vida.

Temos que reinventar um novo modo de estar no mundo com os outros, com a natureza, com a Terra e com a Última Realidade. Aprender a ser mais com menos e a satisfazer nossas necessidades com sentido de solidariedade para com os milhões que passam fome e com o futuro de nossos filhos e netos. Ou mudamos, ou vamos ao encontro de previsíveis tragédias ecológicas e humanitárias.

Quando aqueles que controlam as finanças e os destinos dos povos se reunem, nunca é para discutir o futuro da vida humana e a preservação da Terra. Eles se encontram para tratar de dinheiros, de como salvar o sistema financeiro e especulativo, de como garantir as taxas de juros e os lucros dos bancos. Se falam de aquecimento global e de mudanças climáticas é quase sempre nesta ótica: quanto posso perder com estes fenômenos? Ou então, como posso ganhar comprando ou vendendo bonus de carbono (compro de outros paises licença para continuar a poluir)? A sustentabilidade de que falam não é nem adjetiva, nem substantiva. É pura retórica. Esquecem que a Terra pode viver sem nós, como viveu por bilhões de anos. Nós não podemos viver sem ela.

Não nos iludamos: as empresas, em sua grande maioria, só assumem a responsabilidade socio-ambiental na medida em que os ganhos não sejam prejudicados e a competição não seja ameaçada. Portanto, nada de mudanças de rumo, de relação diferente para com a natureza, nada de valores éticos e espirituais. Como disse muito bem o ecólogo social uruguaio E. Gudynas: “a tarefa não é pensar em desenvolvimento alternativo mas em alternativas de desenvolvimento”.

Chegamos a um ponto em que não temos outra saída senão fazer uma revolução paradigmática, senão seremos vítimas da lógica férrea do Capital que nos poderá levar a um fenomenal impasse civilizatório.

Fonte: http://leonardoboff.wordpress.com/2011/06/07/sustentabilidade-adjetivo-ou-substantivo/

5 de fevereiro de 2013

CARTA FINAL DO I ENCONTRO NACIONAL DE JUVENTUDES DA RECID

*Olha! Se liga.
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Nós, jovens educadoras e educadores populares, integrantes de movimentos populares: rurais, urbanos, culturais hip-hop, LGBT, mulheres, negras e negros, indígenas e outros; oriundas/os dos diversos recantos do Brasil, reunidas/os no I Encontro Nacional de Juventudes da Rede de Educação Cidadã (RECID), no Centro de Formação do CIMI, em Luziânia-GO, entre os dias 31 de janeiro e 03 de fevereiro de 2013, consideramos que:

A América Latina vive hoje um contexto de disputa de projetos.

·         Um projeto, representado pela ALBA, que defende uma integração soberana da região, em contraposição direta ao imperialismo e em favor dos povos. São países que representam este projeto, principalmente: Venezuela, Cuba, Equador, Bolívia, Nicarágua.
·         Um segundo projeto que chamamos de sócio-desenvolvimentismo, cujos principais representantes são Brasil, Argentina, Uruguai e Peru. Como característica deste projeto, temos o esforço para o desenvolvimento econômico com distribuição de renda, mas sem promover as reformas estruturais de interesse dos povos.
·         O terceiro projeto é de submissão total ao capital financeiro, pregando o Estado mínimo e a retirada de direitos trabalhistas e sociais. A este projeto chamamos de neoliberalismo e é puxado principalmente por: Colômbia, Paraguai, Chile e México.

            Neste contexto assumimos a defesa de um projeto político para o Brasil identificado com a integração soberana dos países latino-americanos, com realização de reformas estruturais (reforma política, reforma urbana, reforma agrária, democratização da comunicação etc) que beneficiem o povo brasileiro. Este projeto chamamos de Projeto Popular para o Brasil.

            Contudo, vivemos um momento de descenso das lutas populares, onde as mesmas ainda se encontram fragmentadas e enfraquecidas. Isto é, mesmo acontecendo várias lutas isoladas – algumas vitoriosas – ainda é necessário unificarmos estas lutas em torno de um horizonte político comum para sermos capazes de alterar a correlação de forças.

            Entendemos que as juventudes são sujeitos importantes para alterar este quadro de descenso e acumular forças para a construção de um Projeto Popular para o Brasil.

            Apesar da construção de diversas políticas direcionadas às juventudes (criação do conselho nacional de juventude, das conferências, expansão de vagas e inclusão no ensino superior, entre outras), as mesmas ainda estão sendo exterminadas nas grandes cidades, encontram-se em condições precárias para permanecerem no campo, tem pouco acesso a uma educação de qualidade em todos os níveis, entre outras dificuldades vividas pela grande maioria das/os jovens no Brasil.

            Acreditamos que a garantia de uma vida digna para as juventudes do Brasil se efetiva pela construção de um Projeto Popular que seja fruto da ampla mobilização do povo. Para isso, afirmamos nosso compromisso de:

No campo da formação:

→ Construir espaços de formação política a partir das diferentes realidades e que contemplem o estudo da mesma, o aprofundamento teórico e os saberes populares, como os cursos Realidade Brasileira, jornadas pedagógicas, etc; com os temas de Agitação e Propaganda, resgate da cultura e identidade dos jovens, entre outros.
→ Elaborar um material de subsídio para oficinas de formação sobre o Projeto Popular para o Brasil junto aos grupos de base.

No campo da organização:

→ Fortalecer o trabalho de base e promover encontros de juventude macrorregionais e estaduais, com objetivo de aprofundarem os temas da formação e identificar as possibilidades de lutas comuns.
→ Criar GT's de juventude estaduais e nacional e fortalecer o diálogo entre as pessoas de referência em cada estado.
→ Buscar parcerias com outros movimentos e grupos na perspectiva de promover a troca de experiências e unificar as lutas das juventudes em torno do Projeto Popular para o Brasil.

No campo das lutas:

            Fortalecer todas as lutas que contribuam com a construção de reformas estruturantes e garantia dos Direitos Humanos à luz do Projeto Popular para o Brasil, em conexão com as realidades e demandas locais. Em especial:

→A campanha contra a violência e o extermínio das juventudes e da juventude negra e pela vida.
→Contra o racismo.
→A campanha contra a redução da maioridade penal.
→Por um Projeto Popular para a Educação, incluindo a defesa dos 10% do PIB para a educação pública.
→Pela igualdade de gênero e de orientação sexual.
→Pelo Estatuto da juventude.
→Pelo Passe Livre.
→Pela ampliação das políticas sociais e culturais, com mais recursos públicos e desburocratização do acesso (editais e marco regulatório das OSCs).
→Luta contra as privatizações de serviços públicos (saúde, educação, sistema penitenciário etc.)
→Luta pela valorização e garantia de direitos dos povos e comunidades tradicionais.
→A campanha contra os agrotóxicos e pela vida além das práticas agroecológicas.
→Luta pela democratização dos meios de comunicação.

            Após estes quatro dias de muita formação, mística e animação, concluímos que, onde estivermos, nossa principal luta é a defesa da V I D A. Voltaremos para nossos estados com o compromisso de partilharmos esta vivência junto aos companheiros e companheiras que lá ficaram. Com disposição renovada para enfrentarmos estes desafios, estaremos cada vez mais próximos de nossos objetivos. Hoje, temos a certeza de podermos dizer: os desavisados que se cuidem, pois na nossa voz já se anuncia a manhã desejada!

Juventudes que ousam lutar,
constroem o poder popular!
Fonte: REJUMA




Encontrando com o Coletivo Jovem de Meio Ambiente/PA







Fiquei animado em encontrar velhos/jovens coletivos e novos que se agregaram e estão dispostos a conhecer a proposta de trabalho do grupo.
Sejam Bem-Vindos!
Fotos: Jorge Anderson

3 de fevereiro de 2013

Bumbarqueira e a JPA.



No último sábado (2) aconteceu à terceira edição da Bumbarqueira no bairro da Cidade Venha em Belém/PA. Uma festa que reuniu vários ritmos paraenses no período pré-carnavalesco da cidade. Cerca de 25mil pessoas se encontraram para festejar. A festa promovida pelo Governo do Estado, e que esse ano reuniu 32 blocos de carnaval de municípios como: Colares, Vigia, Bragança, Cametá, São Caetano de Odivelas, entre; fanfarras, escolas de samba, bois de orquestra e cordões de pássaros que se encontraram na nova orla da cidade. No Portal da Amazônia.
A folia esse ano teve a concentração na Praça Amazonas, próximo ao polo joalheiro onde atrações animavam o público ao som de muito carimbó e as velhas marchinhas de carnaval.
Nesse mesmo dia. Horas antes. “As crias do Curro Velho” fez seu desfile com saída da Praça Brasil no bairro do Umarizal até a sede do Curro Velho no Bairro do telegrafo. Com o samba enredo “PASSAREDO” que versa sobre uma floresta imaginária, repleta de encanto e magia, cujos habitantes se unem na esperança de voar para participar de uma festa no céu, buscando com criatividade superar todo tipo de obstáculo. Céu e terra viverão a grande festa para comemorar o esforço de todos, respeitando suas diferenças.
Cerca de 500 crianças e adolescentes participaram desse ano do carnaval da instituição.
No meio de tudo isso, encontrava-me junto a JPA que mais uma vez se encontrava para planejar as ações de mobilização, formação e qualificação de jovens protagonistas representantes de bairros da Região Metropolitana de Belém, traçando estratégias de atuação de ciclos de estudos e ações de intervenções na cidade.
Como o dia foi marcando pela programação da “Bumbarqueira” nada mais conveniente reunir a galera e cair na folia pré-carnavalesca da cidade.
Nada melhor do que vivenciar a diversidade da juventude nessa imensa Amazônia e seus ritmos cativantes, coloridos e cheios de intensas alegrias.
Dedicados aos: Leenardo dias, Lidia Santos, Roberto, Fabio, Andrelina, Daniel, ...







Foto 1: Arquivo Pessoal.
Fotos de 2 a 5: Divulgação.